domingo, 19 de novembro de 2017

SAR em RN

Primeiramente, olá... 

Neste semestre de Fundamentos em CardioRespira... em Pediatria, tive a incumbência de apresentar sobre a SAR em neonatos. 


Bom, de acordo com a leitura em um artigo a SAR, ela foi descrita em 1967, onde 12 pacientes foram submetidos a pesquisa científica, onde apresentavam o seguinte diagnóstico clínico: Atelectasias, quadros de Hipoxemia e trabalho pulmonar aumentado.

De maneira, mais simplificada irei relatar sobre sua fisiologia:


Primeiramente, a fisiopatologia ocorre da seguinte forma: 

Neonatos, com Síndrome da Angústia Respiratória, possui Pneumócitos do tipo II, eles são células que são capazes de manter o surfactante retido.

O surfactante nada mais é de que um líquido, que cuja função é manter a complacência alveolar...

Na ausência do surfactante, não vai haver a formação da mielina tubular, o que vai surgir sérios problemas pro sistema respiratório do neonato, pois sem a formação da membrana hialiana, os macrófagos alveolares absorvem rapidamente o surfactante, e a tensão superficial alveolar se torna aumentada, o que vai provocar atelectasias, pois os alvéolos pulmonares, se tornam instáveis e acabam se colapsando, provocando a hipoxemia, aumentando o trabalho respiratório, levando a acidose, e resistência vascular aumentada, pois envolve ductos arteriosos, que seriam alvéolos capilares, pois aumenta o trabalho dos capilares menores.

O surfactante é tão importante, pois ele tem a função de manter a tensão alveolar diminuída!

O principal objetivo da fisioterapia respiratória é minimizar o trabalho pulmonar, manter a tensão superficial alveolar diminuída, com o uso da PEEP, que vai manter os pulmões Hiper suflados.

SAR, além de ser um processo de doença é um distúrbio de surfactante.

Os fatores de risco é a idade gestacional diminuída, menor ou igual a 28 semanas, mãe diabética, alguns casos de hemorragia materna, entre outros, mas os principais seriam esses, enfim é só uma breve postagem.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Principais Programas de Saúde Pública

Introdução

O Ministério da Saúde é o órgão do poder Executivo Federal responsável pela organização e elaboração de planos e políticas públicas voltados para a promoção, prevenção e assistência à saúde dos brasileiros. É função do ministério dispor de condições para a proteção e recuperação da saúde da população, reduzindo as enfermidades, controlando as doenças endêmicas e parasitárias e melhorando a vigilância à saúde, dando, assim, mais qualidade de vida ao brasileiro.
Sua missão é promover a saúde da população como um todo mediante a integração e a construção de parcerias com órgãos federais, as unidades da Federação, os municípios, a iniciativa privada e a sociedade, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para o exercício da cidadania.


  •        Políticas Públicas



         Disposição Preliminar
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990, esta lei foi regulada, em todo o território nacional, as ações e serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou privado. Dispondo sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.

Das Disposições Gerais
De acordo com o Art.2º A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo ao Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.
Dos Objetivos e Atribuições
Art. 5º São objetivos do Sistema Único de Saúde SUS:
I-                   A identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde;
II-                A formulação de política de saúde destinada a promover, nos campos econômico e social, a observância do disposto no Art. 1º do Art. 2º desta lei;
III-              A assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas.



Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS):
I-                   Execução de ações
a)      De vigilância sanitária;
b)      De vigilância epidemiológica;
c)      De saúde do trabalhador; e
d)      De assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica;
II-                A participação na formulação da política e na execução de ações de saneamento básico;
III-              A ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde;
IV-             A vigilância nutricional e a orientação alimentar;
V-                A colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho;
VI-             A formulação da política de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de interesse a saúde e a participação na sua produção;
VII-           O controle e a fiscalização de serviços, produtos e substancias de interesse para a saúde;
VIII-        A fiscalização e a inspeção de alimentos, água e bebidas para consumo humano;
IX-             A participação no controle e na fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substancias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
X-                O incremento, em sua área de atuação, do desenvolvimento científico e tecnológico;
XI-             A formulação e execução da política de sangue e seus derivados.

  •       Principais Programas de Saúde


Doenças Crônico Degenerativas

O ministério da saúde, em articulação com as sociedades científicas (Cardiologia, Diabetes, Hipertensão e Nefrologia), as federações nacionais dos portadores, as secretarias estaduais, através do CONASS, e as secretarias municipais de saúde, através do CONASEMS, apresenta o Plano de Reorganização da Atenção a Hipertensão Arterial e Diabetes mellitus.
·        
      Objetivo:

Vincular os portadores desses agravos às unidades de saúde, garantindo-lhes acompanhamento e tratamento sistemático, mediante ações de capacitação dos profissionais e de reorganização dos serviços.

Doenças infecto – contagiosas públicas

Abordagem das doenças respiratórias e infecciosas, conhecer o número de crianças do programa que apresentam pneumonias, frequentes e/ou utilizam com frequência o serviço de urgência por pneumonia, asma ou diarreia;
·      
     Orientar e tratar as crianças identificadas com asma grave, pneumonias e diarreia, ou com evolução insatisfatória e dúvidas no diagnóstico;
·      
           Acompanhamento por equipe multidisciplinar.

Dados para monitoramento de programas
Seguem alguns exemplos de variáveis para a construção de indicadores relacionados à saúde da criança.
·        Percentual de crianças (por faixa etária) incluídas no programa em relação ao total da carteira;
·        Percentual de crianças (por faixa etária) incluídas no programa que frequentam pelo menos uma atividade programática em relação ao total de crianças inscritas no programa;
·        Percentual de crianças (por faixa etária) incluídas no programa que frequentaram todas as atividades programáticas em relação ao total de crianças inscritas no programa.

Programas para gerenciamento de crônicos

Ao contrário do que ocorria há alguns anos, hoje predominam no país as doenças crônicas, em detrimento das agudas. Se estação únicas e de curta duração, aquelas são múltiplas e perduram por décadas, acarretando perda progressiva da qualidade de vida, sobrecarregando a família e resultando em perdas financeiras.

Doenças crônicas são aquelas de desenvolvimento lento, que duram períodos extensos – mais de 6 meses- e apresentam efeitos de longo prazo, difíceis de prever. A maioria dessas doenças não tem cura, como diabetes, asma, doença de Alzheimer, hipertensão e neoplasias. Entretanto, várias delas podem ser prevenidas ou controladas por meio da detecção precoce, adoção de dieta e hábitos saudáveis práticas de exercícios físicos e acesso ao tratamento adequado, recomendado pelo profissional de saúde.
Exemplo de programa para Portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica com Risco Assistencial Associado (HAS)
1.      Qualquer ação no sentido de organizar um programa para promoção de saúde deve iniciar com a obtenção de alguns dados que permitam uma informação sobre o perfil demográfico e de saúde da população da carteira. Isso será necessário para adequar as ações as necessidades dos beneficiários.
2.      Utilizando como exemplo a elaboração de um programa para portadores de HAS, pressupomos uma operadora cuja carteira de beneficiários possui um número significativo de pessoas portadoras deste tipo de doença ou possui um gasto expressivo no tratamento dessa patologia, independentemente de haver um número significativo de pessoas com esta enfermidade.
3.      Seja qual for o fator motivador (percentual de doentes ou percentual de gastos), ambos apontam para uma população com necessidade de cuidados especiais. Por um lado, está população demanda uma atenção diferenciada para garantir uma melhor qualidade de vida, e por outro, a operadora necessita otimizar sua gestão de custo/benefício.
4.      Os beneficiários elegíveis para o programa deste exemplo serão aqueles portadores de HAS e com risco assistencial associado.
5.      Após identificar os beneficiários elegíveis para o programa a operadora deverá estabelecer.

Doenças sexualmente transmissíveis

AIDS é uma doença causada pelo vírus HIV pelo programa UNAIDS
A transmissão do vírus HIV pode ocorrer pela relação sexual sem preservativo (camisinha) entre pessoas contaminadas. A transmissão pode ocorrer também pelo contato com o sangue (transfusão ou seringas contaminadas), combate e métodos de prevenção fazer sexo com uso de camisinha, não compartilhar seringas.
           
Hepatite B é uma doença causada pelo vírus da hepatite B (VHB)

A transmissão do vírus tipo B ocorre pela relação sexual entre pessoas contaminadas. A transmissão pode ocorrer também pelo contato com o sangue (transfusão ou seringas contaminadas). A vacina anti-hepatite B e a pode proteger você contra o vírus. Métodos de combate e prevenção vacinação, fazer sexo com uso de camisinha, não compartilhar seringas.
Doenças Crônico Degenerativas
A Coordenação-Geral de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas (CGAPDC) tem por competência coordenar os processos de elaboração e avaliação da política nacional de atenção às pessoas com doenças crônicas, incluindo a rede de atenção à pessoa com doença crônica, e a prevenção e o controle do câncer. 

SAIPS

A ferramenta foi desenvolvida para facilitar e agilizar os pedidos de recursos – feito por gestores Municipais, Estaduais ou do Distrito Federal – para custeio, implantação, habilitação ou credenciamento de equipes, unidades e serviços em saúde. 
Os serviços serão disponibilizados gradualmente. Até o momento, as solicitações de habilitação e/ou incentivo para os componentes SDM/SRC, Mamografia Móvel e QualiCito deverão ser cadastradas no SAIPS de acordo com os manuais específicos para cada tipo de recurso pleiteado. Em breve serão disponibilizados os demais componentes da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas – Habilitação em Alta Complexidade em Oncologia (UNACON, CACON, Hospital Geral e Complexo Hospitalar).
Para mais informações, está disponível no endereço eletrônico do SAIPS o Manual Geral sobre Acesso, Cadastramento e Acompanhamento de Propostas (que explica o fluxo geral do sistema, perfis e atividades), os manuais específicos para cada tipo de recurso pleiteado e as dúvidas e perguntas mais frequentes.

OncoSUS

Com o intuito de facilitar o acesso às informações relacionadas à atenção oncológica, a CGAPDC - juntamente com o Departamento de Informática do SUS (DATASUS) - elaborou o aplicativo OncoSUS. Este aplicativo tem como público-alvo os profissionais de saúde que atuam nos estabelecimentos de saúde e que realizam ações e serviços de saúde voltados ao cuidado das pessoas com câncer.

Saneamento básico
 Conceito O Programa de Saneamento Básico, cuja execução está a cargo da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), foi criado com o objetivo inicial de prover saneamento básico aos municípios com menos de 30.000 habitantes, para eliminar as condições ambientais responsáveis pela ocorrência de agravos à saúde ou que ofereçam riscos ao seu aparecimento. Posteriormente, por conta de avaliações epidemiológicas, foi ampliado o campo de atuação do Programa, abrangendo populações maiores e sendo o composto das seguintes ações: abastecimento de água; esgotamento sanitário; coleta e destinação de resíduos sólidos; melhorias sanitárias domiciliares;



Efeitos de beber Refrigerante

10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente.


Nos 10 primeiros minutos...

Você não vomita imediatamente pelo nível de glicose extremo, porque o ácido fosfórico
corta o gosto.


Após 20 minutos:
O nível de açúcar em sua corrente sanguínea estoura, forçando um jorro de insulina.
O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura ( É muito para este momento em particular).

Após 40 minutos:
A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sob, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente sanguínea. Os recepetores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitr vertigens.

Após 45 minutos:
O corpo aumenta a produção de dopamina estimulando os centros de prazer do corpo.
Fisicamente, funciona como a (heroína).

Após 50 minutos:
O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina, ou seja, está urinando seus ossos, uma das causas da OSTEOPOROSE.

Após 60 minutos:
As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina. Agora é garantido que põem para fora o cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam.

Ácido fosfórico ou ácido ortofosfórico é um composto químico de fórmula molecular HPO, sendo classificado, dentre os ácidos minerais, como um ácido fraco, oxiácido derivado do anidrido fosfórico. É o mais importante dos ácidos derivados do fósforo.





Infarto Agudo do Miocárdio

Infarto Agudo do Miocárdio

O infarto agudo do miocárdio (IAM), acomete o Brasil em altos números de casos suas taxas de mortalidade segundo estudos epidemiológicos revelam alto índice de taxas de mortalidade geral ao redor de 30%, sendo que metade dos óbitos ocorrem nas primeira duas horas do evento e 14% morrem antes de receber atendimento médico. Sua alta prevalência preocupa o Brasil e em específico também o Estado do Rio Grande do Sul , devido ao alto número de óbitos e de prevalência desta patologia devido aos hábitos alimentares sua cultura e tradição de consumo abusivo de carne vermelha. Outros fatores que podem acometer a doença são a Diabetes Mellitus, hipertensão, sedentarismo e os mal hábitos alimentares como citado logo acima.É interessante ressaltar que no inverno portadores da patologia devem ter mais cuidado , pois nossa temperatura corporal vai estar aumentada para manter nosso corpo aquecido aumentando os níveis de PA e cresce 30% o risco de infarto agudo do miocárdio.
Artéria: É o conduto que leva o sangue do coração aos órgãos, via de comunicação.
Obstrução parcial de artéria coronária Isquemia do miocárdio Dor torácica súbita

Patogênese

O termo infarto do miocárdio significa basicamente a morte de cardiomiócitos causada por isquemia prolongada. Em geral, essa isquemia é causada por trombose e/ou vasoespasmo sobre uma placa aterosclerótica. O processo migra do subendocárdico para o subepicárdico. A maior parte dos eventos é causada por rotura súbita e formação de trombo sobre placas vulneráveis, inflamadas, ricas em lipídios e com capa fibrosa delgada. Uma porção menor está associada à erosão da placa aterosclerótica . Existe um padrão dinâmico de trombose e trombólise simultaneamente, associadas a vasoespasmo, o que pode causar obstrução do fluxo intermitente e embolização distal (um dos mecanismos responsáveis pela falência da reperfusão tecidual apesar da obtenção de fluxo na artéria acometida). Dentro de um espectro de possibilidades relacionadas com o tempo de evolução, o miocárdio sofre progressiva agressão representada pelas áreas de isquemia, lesão e necrose sucessivamente. Na primeira, predominam distúrbios eletrolíticos, na segunda, alterações morfológicas reversíveis e na última, danos definitivos. Da mesma forma, essas etapas se correlacionam com a diversidade de apresentações clínicas que variam da angina instável e infarto sem supra até o infarto com supra desnível do segmento ST. É por isso que o manejo do infarto é baseado no rápido diagnóstico, na desobstrução imediata da coronária culpada, manutenção do fluxo obtido, profilaxia da embolização distal e reversão de suas complicações potencialmente fatais (arritmias, falência cardíaca e distúrbios mecânicos).           
Sintomas

Requer um diagnóstico médico

Os sintomas incluem apertos e dores no peito, no pescoço, nas costas ou
nos braços, fadiga, atordoamento, arritmia cardíaca e ansiedade.Mulheres costumam ter mais chances de apresentar sintomas atípicos do que os homens.As pessoas podem ter:Dor local: braço, braço esquerdo, maxilar ou peito Dor circunstancial: em repouso Tipos de dor: queimação no peito No corpo: fadiga, tontura, pele fria e úmida, suor ou suor frio No aparelho gastrointestinal: indigestão, náusea ou vômito No pescoço: desconforto ou rigidez No braço: aperto ou desconforto No peito: aperto ou desconforto Também comum: ansiedade, falta de ar ou palpitação
Observação: as informações exibidas descrevem o que geralmente acontece com uma condição clínica, mas não se aplicam a todas as pessoas. Essas informações não são uma consulta médica. Portanto, entre em contato com um profissional da área de saúde se você apresentar um problema médico. Se você acredita ter uma emergência médica, ligue para seu médico ou para um número de emergência imediatamente.


Idades Afetadas






















Fatores de risco associados  ao infarto do miocárdio


  • Colesterol alto
  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Hipertensão arterial
  • Menopausa
  • Estresse
  • Excesso de peso
  • Diabetes mellitus
  • História familiar ou predisposisão genética
  • Idade
  • Alterações hemodinâmicas: hipertensão arterialhipotensãochoque, mal-estar, etc.
REFERÊNCIAS


ABCMED, 2008. Infarto do Miocárdio. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/22385/infarto+do+miocardio.htm>. Acesso em: 4 jul. 2016.


https://www.gstatic.com/healthricherkp/pdf/heart_attack_pt_BR.pdf.Acesso em: 4 jul. 2016.


http://www.scielo.br/pdf/ramb/v50n2/20786.pdf. Acesso em: 4 jul. 2016.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Definição e importância da dor

FISIOLOGIA DA DOR


Conceito de Dor


Tradicionalmente é encarada como uma sensação provocada pela lesão de órgãos ou tecidos inervados. Sabe-se pouco sobre os substratos neurais para a sensibilidade dolorosa. Isto é em parte, devido à complexidade das vias centrais que medeiam a dor e, também, devido a dificuldade de definir a dor. A dor é uma percepção emocional e mutável. Em muitos casos há discrepância entre o grau da lesão e o comportamento doloroso. Entende-se por comportamento doloroso o conjunto de reações à dor. Indivíduos do mesmo grupo sócio-econômico, mesma idade, mesmo sexo podem reagir diferentemente à dor. As influências culturais também podem influenciar no comportamento doloroso, por exemplo, os japoneses apresentam um comportamento mais discreto perante a dor, já os italianos são dramáticos e respondem com exuberância. Temos ainda casos extremos de indivíduos histéricos que sentem a dor sem a lesão e aqueles que participam de cerimônias de culto místico religioso onde, por exemplo, caminham sobre brasas ou cacos de vidro e não sentem dor.

Para mostrar ainda mais a complexidade que envolve a sensação dolorosa temos ainda que, para um mesmo indivíduo, o que pode se doloroso num momento pode não ser em outro e vice-versa. O campo de batalha durante as guerras tem fornecido várias experiências que demonstram que outro fator que determina a intensidade com que a dor é sentida é a circunstância em que ela ocorre. Os soldados apresentavam feridas profundas, mas na excitação da batalha, diversos afirmavam que tinha conhecimento da lesão, mas não sentiam muita dor, sendo que a dor  se iniciava apenas após o término da batalha.

A associação Internacional para o estudo da dor apresenta o seguinte conceito para dor:

  • Experiência sensorial e emocional desagradável, que é associada ou descrita em termos de lesões teciduais. Entretanto, muitas vezes, manifesta-se mesmo na ausência de agressões teciduais vigentes, tal como ocorre em doentes com neuropatia periférica ou central e em certas afecções psicopatológicas.

Importância da Dor

Embora incomode e seja desagradável, a dor desempenha sua função biológica para manter a integridade da vida do indivíduo, contribuindo  para a preservação da espécie. Exemplo são as pessoas que por motivo hereditário são desprovidas da sensibilidade dolorosa- analgesia congênita. Está doença só é conhecida no homem, sendo um indício de que a ausência da dor seja incompartível com a sobrevivência dos animais. O homem por seguir instruções para evitar o perigo, consegue levar uma vida quase normal, apesar de ser comum o aparecimento de desgastes das articulações, fraturas ósseas, lesões da pele e extensas necroses provocadas por posições viciadas.


Componentes da Dor

a) Perceptivo-discriminativo: é o que permite ao organismo identificar o estímulo como doloroso e localiza-lo numa determinada região.

b) Reação à dor: compreende uma série de respostas de defesa que vão desde a retirada reflexa até o comportamento de fuga ou luta. A reação à dor envolve uma resposta:

  • Afetiva: sensações de aflição, rejeição, sofrimento, neurovegetativa; são muito variáveis hipertensão arterial, taquicardia, bradicardia, hipotensão arterial, sudorese, pele fria e úmida, taquipneia, vômitos, diarreia.
  • Motora: reflexo de retirada, reflexo de extensor cruzado, aumento do tônus muscular, posições antiálgicas.
  •  Comportamental: o indivíduo com dor reage de forma diferente de um indivíduo normal, tende ao  isolamento, fica pouco sociável, às vezes reage violentamente e de forma inadequada.
  • Vocalização: muito frequentemente a sensação dolorosa apresenta manifestações vocais específicas como pranto, choro, lamento, gemido, acompanhado de expressões faciais.
  • Alerta e Atenção: o indivíduo com dor está preocupado com ela, pensa na dor o tempo todo, dirige toda a atenção para a dor, que constitui a principal sensação; pode despertar do sono.

Transdução

Tipos de estímulos que podem causar dor: térmicos, mecânicos, químicos e elétricos.

Receptores de Dor: nociceptores são descritos 3 tipos:

I.Nociceptores termo-sensíveis: excitados por temperaturas acima de 45 graus de congelamento.

II.Nociceptores mecano-sensíveis: sensíveis a deformações nocivas.

III.Nociceptores quimio-sensíveis: excitados por substâncias químicas.

IV.Nociceptores polimodais: excitados por mais de um tipo de estímulo.
Besson e Pearl descreveram receptores polimodais em pequenas zonas da pele, que apresentavam fibras aferentes amielínicas e respondiam à forte pressão, forte calor e às substâncias químicas.


 Tipos de Dor

a) Dor rápida ou epicrítica bem localizada, qualificada e quantificada está relacionada com o estímulo. Ex: a dor de uma alfinetada, ou de um beliscão pode ser causada por estímulos químicos, térmicos ou mecânicos sensação começa e termina abruptamente transmitida por fibras do tipo A delta ( mielinizadas).

b) Dor lenta ou protopática mal localizada,  qualificada e quantificada estímulos químicos ou mecânicos corresponde à sensibilidade visceral e estímulos profundos transmitidas por fibras do tipo C (amielínicas), o mecanismo da dor lenta o estímulo leva à lise celular- libera enzimas proteolíticas no LEC- estas enzimas clivam globulinas plasmáticas que produzem vários neuropeptídeos de cadeias curtas como por exemplo: a bradicinina e a substância P, estas substâncias ativam as terminações nervosas nociceptoras. Experimentos mostraram que a injeção de bradicinina em pele saudável causa a dor. Certos polipeptídeos liberados no veneno de picada de insetos são semelhantes à bradicinina.

Tipos de fibras nervosas


  • Fibras do tipo C: finas, amielínicas, diâmetro 0,5 a 1,0  µm, velocidade 0,2 a 2 m/s, transmitem a dor lenta;
  •  Fibras do tipo A delta: grossas, mielinizadas, diâmetro de 1 a 4 µm, velocidade 5 a 15 m/s, transmitem a dor rápida.


Transmissão do sinal doloroso para o Sistema Nervoso Central

Os sinais dolorosos penetram pelas raízes dorsais da medula espinhal e seguem a via somatossensorial igual a do tato grosseiro e da temperatura, via ântero-lateral. No tálamo os sinais alcançam os núcleos ventro basais, onde há distribuição espacial característica- somatotopia- representação específica de determinados campo receptivos.

No córtex cerebral, os sinais dolorosos, através de projeções contralaterais chegam ao giro pós- central, na área sensorial somática I. Existem duas vias de transmissão dos sinais da dor que justamente caracterizam os dois tipos de dor:


a) Via neoespinotalâmica: é a via que transmite a dor rápida, formada por fibras do tipo A delta, possui poucas sinapses, chega a pontos específicos do tálamo, filogeneticamente é a via mais evoluída. A sensação dolorosa percebida por esta via é epicrítica, ou seja, é precisa, bem definida, bem localizada, intensificada e discriminada. A dor de origem dentária corresponde a este tipo de dor. Em geral, as estruturas inervadas pelo nervo trigêmeo, quando lesadas excitam o sistema específico de dor (Sistema Neo espino trigêmeo talâmico).

b) Via paleoespinotalâmica: é a via que transmite a dor lenta, formada por fibras do tipo C, amielínicas, são vias multissinápticas. A informação é lenta, gradativa e prolongada, muito difusa. Uma parte das fibras vai ao tálamo e deste ao córtex somestésico, mas a maioria se dirige à formação reticular mesencefálica e, a partir destas áreas, a informação é mandada para: córtex límbico e frontal, hipotálamo, núcleos motores. Esse tipo de dor não consegue ser analisada com precisão, nem sua localização, nem intensidade e caraterísticas (sensibilidade visceral e sensibilidade profunda). Este tipo de dor é acompanhado de intensa reação neuro-vegetativa, emocional, motora e comportamental, reações estas que podem ser entendidas observando as áreas que são ativadas pela transmissão do sinal de dor lenta.

Causas da dor

a) Tecidos lesados: liberação de substâncias que estimulam nociceptores (bradicinina, potássio, ATP). Estas substâncias não só estimulam os nociceptores químicos, como também diminuem o limiar de nociceptores mecânicos e térmicos. Ex. a lesão tecidual causada pela queimadura do sol faz com que estímulos mecânicos e térmicos, mesmo que leves causem dor – alodinia.

b) Isquemia tecidual: tecido fica muito dolorido quando há bloqueio de fluxo sanguíneo e a dor é mais intensa quanto maior for a atividade do tecido. Ex. se um manguito de medir pressão for colocado no braço e inflado o suficiente para impedir o fluxo sanguíneo, após 3 a 4 minutos iniciará a sensação dolorosa no braço, fazendo o exercício com o braço o tempo diminui muito, 15 a 20 segundos é o suficiente para começar a sentir dor.  As causas da dor provocada pela isquemia pode ser a formação de ácido láctico pelo metabolismo anaeróbico e/ou a formação de outras substâncias como bradicinina devido à lesão.

c) Espasmo muscular: causa um efeito direto, o próprio espasmo estimula mecanorreceptores de dor e, também, causa um efeito indireto, pois, com o espasmo, ocorre a compressão dos vasos sanguíneos, causando isquemia e dor.

Receptores de dor não se adaptam

  Os receptores de dor nunca se adaptam, ao contrário, em algumas situações eles até diminuem o seu limiar de estimulação, ficando mais sensíveis, é o que acontece, por exemplo, na hiperalgesia e alodinia provocadas na pele queimadura pelo sol.

Sensibilidade dos tecidos à dor

a) Muito sensíveis: periósteo, dentina e polpa dentária, revestimento sinovial, adventícia dos vasos sanguíneos, pleura parietal, peritôneo parietal, cápsula hepática, músculo cardíaco, pele.
b) Pouco ou nada sensíveis: osso, esmalte dentário, superfícies articulares, íntima, pleura visceral e pulmão, peritôneo visceral, tecido hepático e pericárdio.

Localização da dor

Dor localizada: se manifesta no próprio local onde está o estímulo.
    
Dor irradiada : se manifesta ao longo de um trajeto nervoso onde está ocorrendo o estímulo. Ex. pulpite de um pré-molar causar dor irradiada na mandíbula.

Dor referida: se manifesta distante do local onde está ocorrendo o estímulo. Existem várias teorias que tentam explicar a dor referida: A possibilidade de uma única célula nervosa fazer sinapse com várias outras e vice-versa gera um fenômeno conhecido como convergência ou divergência sináptica. O resultado disto é que o SNC pode projetar dor para área diferente daquela onde ocorre o estímulo. A teoria mais comumente encontrada na literatura para explicar a dor referida é a organização metamérica do organismo dos mamíferos durante a vida embrionária. Cada segmento transverso do corpo, chamado de metâmero, compreende uma porção da pele chamada dermátomo, do osso chamada esclerótomo, do músculo chamado miótomo e das vísceras chamada viscerótomo. Cada metâmero recebe inervação oriunda do segmento espinhal correspondente. Com o desenvolvimento do organismo, esta disposição metamérica se modifica e o resultado disto é que na vida adulta a pele e o músculo de um membro, por exemplo, acabam ficando distantes da víscera à qual estavam associados, mas são inervados pela mesma raiz nervosa, daí a dor do infarto ser referida ao braço e à mão. Raciocínio idêntico ocorre com a face, onde a maxila e a mandíbula pertencem ao mesmo metâmero, do que resulta a possibilidade da pulpite de um dente inferior causar dor referida num dente superior. 
    
Dor projetada (dor fantasma): O paciente queixa-se que dói o dente que foi extraído, daí a denominação de dor fantasma, como o que ocorre com os indivíduos que sentem dor nos membros que foram amputados cirurgicamente ou decepados em ferimentos bélicos. Em princípio, as sensações projetadas podem ocorrer em todas as modalidades sensoriais. A irritação da fibra aferente é transmitida pelo feixe espinotalâmico lateral em direção ao SNC, onde desencadeia uma sensação no local onde estão os receptores daquelas fibras aferentes. Na clínica, por exemplo, são freqüentes as lesões dos discos intervertebrais (hérnias de disco), levando à compressão dos nervos espinhais no local em que estes penetram no canal vertebral. Neste caso, as sensações dolorosas que resultam de impulsos centrípetos desencadeados nas fibras nociceptivas são projetadas para o território de inervação do nervo espinhal irritado, naturalmente também podem ocorrer dores locais.


Sistema Modulador da Dor

Teoria da Comporta – Mezalck e Wall (1965)- Essa teoria afirma que a transmissão sináptica da informação nociceptiva pode ser regulada, como por uma comporta na ponta dorsal da medula, pela atividade de outras vias. Especificamente, a atividade de grandes fibras aferentes somatos sensoriais (táteis) ativaria um interneurônio na substância cinzenta da medula espinhal, que por sua vez causaria inibição pré-sináptica das fibras aferentes nociceptivas de menor calibre (dor). A atividade do neurônio de segunda ordem da via nociceptiva poderia ser, portanto, modificada pela atividade de outras vias somatos sensoriais. Isto explica porque pequena dor cutânea pode ser abolida esfregando-se a área da pele afetada, isto é, o ato de esfregar ativa as grandes fibras aferentes somatos sensoriais que inibem a transmissão das fibras aferentes nociceptivas. Alguns tentam explicar os efeitos da acupuntura através dessas teorias.

Sistema de Analgesia no cérebro e na medula espinhal – Em 1969, Reynolds descreveu um novo sistema modulador da dor envolvendo a substância cinzenta periaquedutal. O grau em que uma pessoa reage à dor é altamente variável. Isto resulta, em parte, da capacidade do próprio cérebro em suprimir a entrada de sinais de dor ao sistema nervoso ativando um sistema de controle da dor, chamado sistema de analgesia. Este sistema é constituído por três componentes principais:

 1) um complexo inibitório da dor localizado nas pontas dorsais da medula espinhal.

 2) núcleo magno da rafe localizado na ponte.

 3) área cinzenta periaquedutal e periventricular do mesencéfalo. 

Várias substâncias estão envolvidas no sistema de analgesia, principalmente a encefalina e a serotonina. Muitas fibras nervosas que se originam nos núcleos periventriculares e na área cinzenta periaquedutal secretam encefalina nas suas terminações nervosas que alcançam o núcleo magno de rafe. Deste núcleo partem fibras que se dirigem para as pontas dorsais da medula espinhal, onde secretam serotonina e estimulam os neurônios locais a secretarem encefalina. Acredita-se que a encefalina cause inibição pré-sináptica nas fibras da dor quando estas fazem sinapse nas pontas dorsais. A inibição pré-sináptica é provavelmente realizada pelo bloqueio de canais de cálcio nos terminais, provocando a diminuição da entrada de cálcio e, consequentemente, a quantidade de neurotransmissor liberado diminui. 

A encefalina também age no neurônio de segunda ordem impedindo a abertura dos canais de Ca++ ativados pelo glutamato. O bloqueio parece durar períodos prolongados porque, após a ativação deste sistema, a analgesia dura vários minutos até horas. Sempre que uma informação dolorosa trafega pela via espinotalâmica, aferências chegam até a substância cinzenta periaquedutal, podendo ativar a via de analgesia endógena. Porém, normalmente, essa ativação não é suficiente para impedir a passagem do estímulo nociceptivo para o neurônio de segunda ordem, pois, se assim o fizesse não sentiríamos dor. Nesse contexto, é possível supor que sentiríamos dor com uma intensidade muito maior caso essa via fosse bloqueada (usando, por exemplo, naloxone, um antagonista opióide). Por outro lado, a substância cinzenta periaquedutal recebe muitas aferências excitatórias provenientes principalmente do hipotálamo e, sendo o hipotálamo a via de saída das eferências do sistema límbico, é possível entender o porquê da grande influência (positiva ou negativa) que o estado emocional do indivíduo exerce sobre a intensidade da dor percebida. Por exemplo, soldados feridos na guerra que continuam a batalha e relatam não sentir dor até que o combate termine; atletas contundidos que continuam a prova e percebem o ferido somente após o término da competição. Opostamente, sensibilidade à dor aumentada em muitas pessoas deprimidas e ansiosas.

Cefaleias

Mecanismo da gênese: tração da artéria meníngea média; tração das grandes artérias da base do encéfalo e ou de seus ramos principais; distensão e ou dilatação das artérias intracerebrais; tração das veias que desembocam nos seios venosos, inflamação das estruturas sensíveis a dor, compressão dos nervos sensitivos cranianos.

Verifica-se que as estruturas vasculares encefálicas são as mais sensíveis á dor e, por conseguinte, as principais envolvidas na gênese das cefaleias.

Cabe lembrar que massa encefálica e parte das meninges são insensíveis à dor.

Alguns tipos de cefaleias

De origem extra cefálica : alguns processos infecciosos causam vasodilatação das artérias encefálicas.

Enxaqueca: é um tipo de cefaleia que está relacionado,provavelmente, com a produção de substâncias algésicas.

Cefaleia de tensão: decorre da contração prolongada dos músculos da face, pescoço, região cervical posterior, couro cabeludo e ombros. A contração desses músculos conduz à redução do suprimento sanguíneo, o que contribui para a manutenção da dor. Estados de ansiedade, ao lado de posturas viciadas da cabeça e pescoço são causas comuns de cefaleia de tensão.
      
Defeitos de refração ocular (hipermetropia e astigmatismo): causam cefaleia de tensão prolongada que é submetida à musculatura extrínseca dos olhos.

Glaucoma: o aumento das câmaras intraoculares causa cefaleia.

Hipertensão arterial: produz cefaleia, o provável mecanismo é que pela manhã, quando o doente se levanta a pressão arterial eleva-se bruscamente, distendendo repentinamente uma artéria com tono diminuindo e isso origina a dor.





Bibliografia:
BEAR, MF et al. Neurociências, 3a edição, Ed. Artmed, 2008.

Guyton, A. e HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11a edição. Ed. Elvesieer, 2006.

KANDEL, E.R et al. Principles of Neural Science. 4th ed., Ed. McGraw-Hill, 2000.

SCHMIDT, R.F. Fisiologia Sensorial. EDUSP, 1980.